Colunistas José Antônio — 19 setembro 2011
José Antônio – Educação: a vergonha da reprovação

O ministro da Educação, Fernando Haddad, num evento com estudantes na USP (Universidade de São Paulo) na tarde desta quarta-feira (14) chegou a perder a paciência e pedir ao público que o deixasse falar. Ao chegar ao local, ele foi recebido com vaias e gritos de “Haddad, eu não me engano, 7% [do PIB para a educação] é proposta de tucano”, em referência ao PNE (Plano Nacional de Educação), enviado ao Congresso pelo MEC (Ministério da Educação), que prevê o investimento desse percentual na área até 2020. Os manifestantes pediam 10% do PIB.

Quando conclui o meu primeiro ano escolar eu já sabia ler, escrever, somar, multiplicar, adicionar e dividir. Hoje estou há 41 anos na sala de aula, como professor universitário, e venho acompanhando todo o processo educacional brasileiro e não tenho constatado uma melhoria sonhada na qualidade do ensino em nosso país, a partir dos alunos que recebemos em nossas salas.

Quando fiz o curso ginasial estudei latim, francês, sociologia, filosofia e hoje tiraram tudo isto, além da seriedade e o trabalho e criaram a moda do “aprender brincando”. Punir um aluno é falta grave e reprovar nem pensar. Então, se não tem reprovação, para que estudar, para que lutar e buscar um ensino melhor?

Nos dias atuais os pais obrigam os filhos a irem para a escola pública, na sua maioria, para “assinarem o ponto” para poder receber no final do mês o Bolsa Família. E o resultado? Um relatório divulgado pela imprensa diz que metade das crianças do Brasil, na terceira série, não sabe ler nem escrever. Metade dos mais adiantados escreve mal e estes são os estudantes que recebemos nas universidades.

Os estudantes ao vaiarem o Ministro da Educação, expressavam a sua indignação com o percentual dos recursos destinados a educação, que infelizmente, nunca foi prioridade para o governo, enquanto nossos políticos aumentam seus salários de forma vergonhosa, um professor ganha uma miséria.

Enquanto um professor ganhar mais do que um salário mínimo pouca coisa, estaremos fadados a constatar resultados iguais aos divulgados esta semana, do exame do ENEM 2011, quando mais da metade dos alunos do ensino médio regular que fez a prova tirou uma nota menor que a média, (52,98% dos estudantes ficou abaixo de 511,21), isto significa que se o que estive em jogo fossem a aprovação ou reprovação, as nossas escolas estariam “reprovadas” ou “não passariam de ano”.

Em pesquisas realizadas a questão do fracasso na maioria da escola pública não se restringe apenas as questões salariais, mas envolve o próprio aluno, a família, o professor e a escola. Especialistas no assunto alertam que se o Brasil permanecer no ritmo atual vai perder mais uma geração de jovens, que é a geração desta década.

Os técnicos do Ministério da Educação sabem do déficit na formação de professores de física, química, matemática e biologia, mas não irão conseguir atrair candidatos enquanto os salários pagos aos professores sejam menos da metade do que ganha um Policial Militar, cuja escolaridade exigida é ter concluído o segundo grau.

Enquanto o governo não entender que deva colocar a educação num patamar de expressiva prioridade, grande contingente de jovens que chegam às universidades vai continuar sem saber redigir um texto, sem saber se expressar por rescrito e ao ingressar no mercado de trabalho vai produzir estudantes analfabetos.

Infelizmente, a educação brasileira, após as divulgações destes resultados continua vergonhosamente reprovada.

 

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