Lenilson Oliveira — 04 outubro 2011
Lenilson Oliveira – M.D.M.

M.D.M. poderia ser a sigla de qualquer movimento social, humanitário, religioso, político, esportivo ou de qualquer outra natureza e finalidade em atuação no Brasil, na Paraíba ou em Cajazeiras. Como o MAC, por exemplo, o Movimento dos Amigos de Cajazeiras, gestado há pouco tempo, mas que já tem feito muito barulho na briga pelo crescimento da terra do Padre Rolim. Poderia ser um movimento como o MST, dos Sem Terra, que há tempos briga por justiça social e um pedaço de terra para famílias subsistirem em assentamentos. Poderia ser como o MNDH (Movimento Nacional dos Direitos Humanos). Que sigla bonita!

Infelizmente, M.D.M. não é uma sigla, nem um movimento: M.D.M. são as iniciais de uma menina de três anos, fruto de uma família desestruturada, de uma sociedade omissa e covarde e protagonista de mais um dos inúmeros casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes praticados diuturnamente, velados ou descobertos.

M.D.M., de apenas três anos, talvez tenha sido só mais uma vítima da monstruosidade humana, entre tantas outras, até debaixo do nariz de cada um de nós; mas M.D.M. chama a atenção pelas características dos crimes dos quais foi vítima e para os quais todas as investigações apontam: abandono, sequestro, ingestão de drogas, estupro, agressão física (com o adendo de que a polícia trabalha também com a hipótese de ela ter sido vendida aos agressores ou trocada por drogas pelos próprios pais).

A brutalidade contra a pequena M.D.M. foi tão desproposital à fragilidade do seu corpo, que a sua região vaginal mereceu atenção e todos os cuidados médicos para uma cirurgia de recomposição.

O fato, lamentável sob todos os aspectos (desculpem o clichê, mas se fez necessário), é que o caso de M.D.M. fez de agosto de 2011 um mês inesquecível em Cajazeiras para as famílias, escolas, autoridades e para os algozes da infância daquela menina e dos seus sete irmãos (acreditem, sete irmãos).

M.D.M., mesmo tendo sobrevivido, se por sorte ou por milagre, nunca terá uma infância, nunca terá uma adolescência, nunca terá uma vida normal, por mais que psicólogos de plantão digam o contrário. Isto é fato.

P.S.: A repetição exaustiva de M.D.M. foi proposital, para que Cajazeiras jamais esqueça as iniciais da protagonista de uma das suas maiores vergonhas.

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